sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Dita Dura!!!


A crônica de como se fez uma das capas de disco mais premiadas da história da MPB: Todos os Olhos, de Tom Zé Procura-se um motel. Na São Paulo de 1972 isso não é lá tão fácil de encontrar. O jeito é pegar a rodovia Raposo Tavares e afastar-se alguns quilômetros da cidade para estacionar o Fuscão 1500 bordô ao lado de caminhões que descansam sob a placa "Retiro Rodoviário".

O rapaz tem 22 anos, é cabeludo, usa faixa na cabeça e calça boca-de-sino.

A moça tem vinte e poucos, é bonita, loira de cabelos compridos, tem os olhos claros, pinta de hippie e, assim como ele, é fã da Tropicália. Acessórios trazidos: uma máquina fotográfica alemã Praktika sem flash, quatro filmes Kodacolor ASA 100, dois abajures com lâmpadas de 100 W, fortíssimas, e uma caixa de... Bolinhas de gude?
Esses são os elementos usados na composição da foto da capa de Todos os Olhos, álbum do tropicalista baiano Tom Zé, lançado em 1973.

Tempo de ditadura. Toda a produção cultural, letras, músicas e arte-final do LP passam por censores antes de ir às lojas. Apesar da noite no "Retiro Rodoviário" não ser a única necessária para conseguir a foto da capa do disco, um ano depois dela Todos os Olhos vem ao mundo.
Os censores não atinaram para o que seria aquele fundo róseo com uma gema ao centro. Ainda bem. Tom Zé, o artista tropicalista, sabia que a circunferência no centro da capa era uma bolinha de gude. A repousar sobre uma parte verdadeiramente íntima do corpo humano, aquela mais abaixo do final das costas.
A idéia - de assombrosa afronta à censura - foi do poeta vanguardista Décio Pignatari, grande amigo de Tom Zé. Não eram tempos de brincar com a sorte. E toda a equipe de criação do álbum guardou muito bem o segredo.

Fonte: http://craifer.blogspot.com/2008/07/tom-z-todos-os-olhos-de-1973.html
http://oblog.virgula.uol.com.br/omedi/2009/03/capas-de-discos-censuradas/