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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

ARRUPIA OS CABELIM...


Mais um conto da cripta!!

Agora cambada, larguem de ser preguiçosos e leiam o texto senão esse cara aí de cima vai aparecer pra vcs!!!

DESABAFO DE UMA ALMA PERTURBADA

Definitivamente não acredito em espiritos. Acredito em fantasmas. Pode parecer estranho, mas deixe-me contar minha história para que possa me entender... antes que eles cheguem.

Amanheceu um dia lindo de sol. Abri a janela, respirei fundo e... ouvi dois tiros. Me abaixei rapidamente. Fiquei trêmulo. Permanecí imóvel por uns cinco minutos, de olhos fechados e tapando os ouvidos. Quando abri os olhos, ele estava lá. Olhando para mim com seu rosto pálido e assustador.

Tudo começou nesse dia. Minha mãe voltou correndo para casa para ver se eu estava bem. Disse que um homem tentou assaltar uma moça o bandido acabou assassinando a jovem e seu filho de dez anos.

Todos os dias ele está ao meu lado. Seu nome era Robson e, como eu ja disse, tinha dez anos. Nunca mais dormi uma noite completa de sono depois daqueles dois tiros. Robson fica todas as noites de pé, ao lado da minha cama, me olhando. Ele não fala nada, mas faz muito barulho. Ele bate as portas do guarda roupa, acende as luzes do quarto e espalha minhas roupas.

Já falei com minha mãe sobre ele, mas ela acha que estou inventando desculpas para minha bagunça.Meu tormento tornou-se maior quando Robson começou a tentar se comunicar comigo.

Um dia ele rasgou uma foto dos meus pais ao meio, separando-os. Comecei a chorar de raiva e de desespero, mas ele não entendia. Seus olhos ficaram vermelhos de ódio e de sua boca saia um líquido espumoso, que manchava o carpete de casa. Ele avançou contra meu pescoço, mas minha mãe chegou a tempo e ele desapareceu antes que ela o visse.

Em outra ocasião, ele pegou a metade da foto com minha mãe e tentou colocar fogo. Por muito pouco não causa um incêndio em meu quarto.

Certa noite, acordei com um som metálico batendo nos móveis. Quando pude perceber, Robson estava de pé, ao lado da minha cama, apontando uma arma para minha cabeça. Não tive tempo de pensar. Ele apertou o gatilho sete vezes e desapareceu. A pistola caiu no chão. Por sorte minha, não havia munição na arma.

Resolvi mostrar para meus pais a arma e tentar contar o que aconteceu. Durante seu café da manhã, mostrei a arma para eles. Minha mãe ficou apavorada. Deixou cair a xícara de café que tomava. Meu pai, um pouco mais calmo, me perguntou onde peguei a arma. Eu apenas disse:

- Uma criança, chamada Robson me deu.

Dessa vez foi meu pai quem ficou nervoso. Suas mãos tremiam sobre as migalhas de pão. Ele me pediu a arma, deixou-a sobre a mesa e disse já com lágrimas nos olhos:

- Preciso contar uma coisa a vocês. Essa criança, o Robson, que te acompanha, é seu irmão. Ele era filho daquela moça que morreu há alguns meses atrás. Eu traí sua mãe, meu filho, e voltei a traí-la há algum tempo atrás, até que o destino acabou com a traição da pior forma possível. Não consigo mais esconder isso. Essa criança me perturba todas as noites. Não posso mais conviver com isso. Peço perdão, minha querid... Antes de terminar a frase, minha mãe já havia enviado a faca de pão pelo pescoço do meu pai.

- Pensa que não sei, seu desgraçado? Fui eu quem pegou a arma e matou aquela vagabunda e o pivete que você teve com ela! Não aguentava mais isso! Eu precisava por um fim nisso! E hoje eu o farei!

Minha mãe passou a faca nos olhos de papai. Ele tentava gritar, mas o sangue que escorria de sua garganta o impedia de fazer qualquer movimento. Ela mordia suas orelhas, arrancando pedaço por pedaço da carne de seu rosto. Não eram mais meus pais. Eram dois demônios encarnados em pessoas.

Corri para meu quarto e me tranquei. Lá, encontrei Robson segurando três cartuchos de munição para a arma. Não tive dúvida: Corri para a cozinha, peguei a arma, carreguei-a e atirei nas costas da minha mãe.

A polícia chegou ao local e não teve dúvidas: Matei meus pais. Hoje vivo trancado aqui no hospital psiquiátrico de Natal. Longe de tudo, da família que me resta, dos amigos e da sanidade mental que eu tinha antes.

Tenho que encerrar essa história por aqui. Meu pai está aqui do meu lado e me pede para que eu seja breve, pois eles já sabem onde eu estou. Robson e minha mãe estão ai com você, parados do seu lado direito lendo minhas palavras.

Adeus

by Reinaldo Ferraz

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Arrupia os cabelim


Sempre tive vontade de fazer isso....
Pelo menos uma vez por mês quero postar esses contos da cripta aqui...

Expurgar o mal

Permitam-me que manche estas páginas níveas que têm pela frente, com o sangue que ainda escorre das minhas mãos assassinas. Eu sempre fui o mais sereno dos homens. Na vila onde vivo, as pessoas fitam-me com alguma compaixão, como se exibisse um cartaz a dizer, "tenham pena de mim". Sempre foi assim. Em casa, na escola, no emprego. As pessoas têm tendência a tratar-me como um "coitadinho". O pior é que eu acomodei-me a esta situação desconfortável, e assim tenho vivido.
Naquela noite de verão, eu estava deitado na cama. Fumava um cigarro e tinha o rádio ligado, quando fui perturbado pela visita dele. Irrompeu brandamente pelo meu quarto, como se ali vivesse. Estremeci ao olhar para ele. A primeira ideia que me assombrou foi a de que ele me ia matar. De seguida achei que ele não era humano. Mas mudei de ideias quando fitei os seus olhos ensanguentados.
Acaba com eles, Vítor. - Grunhiu ele, sabedor do meu nome.
Com eles, quem? - Redargui eu, com os lábios trémulos.
Com os que te espezinham com o olhar... - A voz dele ressoara nas antecâmaras da minha mente. Ele sabia o que eu sentia verdadeiramente, quando as pessoas olhavam para mim com aquele ar penoso. Sentia-me espezinhado, sim!
O que queres que eu lhes faça? - Inquiri cheio de medo.
Mata-os. Expurga o mal que há neles. Acaba de uma vez por todas com esse teu sofrimento e verás que amanhã serás outra pessoa. Faz o que eu te mando, e serás dono de um poder e de uma força sobrenatural.
Inexplicavelmente, o ser tinha desaparecido do meu quarto com a mesma descrição com que entrara. Não me senti bem, e como estava calor, decidi dar uma volta pela praia. Precisava de apanhar um pouco de ar. Sentia que a loucura se estava a apoderar de mim. Quando cheguei à praia, deitei-me no areal e ali permaneci a contemplar as ondas, que teimavam em enrolar-se numa espuma branca que se desfazia no areal.
O meu momento de nostalgia foi interrompido pelos gritinhos histéricos de duas raparigas que passaram por mim, e que ao fitarem-me ali sossegado, reagiram com se tivessem acabado de ver um insecto. Além de se rirem, ainda se voltaram para trás, e voltaram a rir-se.
Acaba com eles, Vítor... Com os que te espezinham com o olhar - Vociferou a voz dele, do interior da minha alma sombria. Oh, sim. Ele tinha um poder desconcertante sobre mim. Eu era fraco demais para lhe sucumbir. Senti-me na obrigação de lhe obedecer. Olhei de novo, e lá estavam elas a fazer troça de mim. Fui ao carro, e da mala retirei uma chave de grifes de um metro e vinte, que eu usava nos andaimes, e pus-me ao caminho. Ultrapassei um breve caniçal, até as avistar. Lá estavam elas dentro dos carros, com os namorados. Estavam ambas debruçadas sobre eles. Faziam sexo oral.
Mata-os. Expurga o mal que há neles. Acaba de uma vez por todas com esse teu sofrimento e verás que amanhã serás outra pessoa. Avancei num espasmo de loucura perversa, e mesmo antes que eles tivessem tempo de se aterrorizarem com a minha presença, espanquei-os sem clemência. Desferi inúmeros golpes nas suas cabeças, pernas e braços, que nem tiveram tempo para me suplicarem pela vida. Matei-os a todos. -Então, não se riem agora, suas putas? - Grunhi eu, sentindo um prazer infindável a invadir a minha pessoa.
Faz o que eu te mando, e serás dono de um poder e de uma força sobrenatural.
Oh, sim! Ele sabia. O meu visitante misterioso sabia do que falava. Eu agora sentia e experimentava o poder. Ninguém mais ousava olhar para mim daquela maneira. Eu agora, era Deus!
A aurora irrompeu brandamente pela neblina nocturna, quando eu acordei no silêncio do meu quarto. Sentia-me confuso, tivera um pesadelo macabro, em que assassinara quatro jovens, e...Não! Não pode ser! As minhas mãos estão cheias de sangue!...a minha roupa também...Não! Pranteava desesperadamente, quando notei a presença de alguém perto de mim. A primeira ideia que se me afigurou, foi de um polícia com um mandato de prisão. Mas esta ideia desvaneceu-se quando fitei o vulto do ser que me visitara na noite anterior.
És grande, Victor! Estou muito orgulhoso de ti. - Grunhiu ele, confiante.
Quem és tu? O que queres de mim? - Indaguei eu, impacientemente.
Não interessa quem eu sou; mas sim, o que és tu? - Atalhou ele, exibindo um semblante austero e aterrador.
O que sentis-te, depois de teres esmigalhado a cabeça aquelas putas, hein? Diz-me. Poder, não foi? Confessa lá!
Sim! É verdade. Senti uma força tão monumental que era capaz de derrubar um exército de cem homens! - Acrescentei eu, colocando-me de pé, de frente para ele.
Mas não chega Victor. Não é suficiente. Oh, não! Ainda há por aí, muitos pecadores. Muitos veículos do mal. Acaba com eles todos. Não deixes que eles proliferem por aí. - Avisou ele, esgueirando-se de novo sem eu perceber.
Voltei de novo à praia do osso da baleia. Laureei por ali tranquilamente. O reduto dos pecadores e veículos do mal, era ali. Era só uma questão de tempo e dizimava-os a todos. A lua estava absoluta, e iluminava a noite quente. Vi três indivíduos fortes a virem na minha direcção. Eu continuei com a minha marcha, normalmente. Eles estavam cada vez mais perto, e eu senti que a minha bolha de ar estava a ser invadida pela presença daquele grupo. Senti que um deles me deu um encontrão no ombro quando passou por mim, e sem se deter, voltou-se e desafiou-me:
És gordo? - Indagou com o rosto cheio de reprovação.
Tu, é que vieste contra mim! - Respondi eu, secamente.
Vai-te f...pá. Pareces um rato do esgoto! - Proferiu ele, num tom áspero e de desprezo.
Ainda há por aí, muitos pecadores. Muitos veículos do mal.
As palavras dele ribombaram na minha mente, como um trovão numa noite de placitude. E o meu espírito demoníaco e perverso, actuou, mais uma vez, por mim!
Deves pensar que estás a falar com o cabrão do teu pai! - Vociferei secamente, quando eles já se alongavam, uns metros adiante de mim. Estas minhas palavras fizeram com que eles interrompessem a marcha e se voltassem para mim. Vi com normalidade, os olhos deles, plenos de raiva a procurarem o meu rosto, e de seguida, volveram na minha direcção para me espancar. Mas eu tinha uma surpresa para eles. Em fracções de segundo puxei de duas 6/35, e apontei na direcção deles. Vocês haviam de ver os rostos deles, repletos de terror quando eu dei o primeiro tiro. Depois o segundo, e o terceiro...enfim. Crivei-lhes as caras odiosas e trocistas com balas incandescentes. Oh, sim. Agora já não troçavam de mais ninguém. Eu é que ainda me ri, quando lhes urinei para cima dos cadáveres.
Na manhã seguinte, a porta do meu quarto foi arrombada pela polícia, que me prendeu, acusando-me do homicidio de sete pessoas. -Sete pessoas? Eu nunca matei ninguém. - Barafustei, cheio de confiança. É obvio que os polícias me fixaram com bastante incredulidade. Um deles mostrou-me a chave de grifes que eu conservava debaixo da cama, e que ainda estava suja com sangue. As duas 6/35, também me foram apreendidas, pois permaneciam sob o meu travesseiro, que até deitava um odor a pólvora desconcertante. E, indiscutivelmente, o sangue das vitimas que se conservava nas minhas mãos e nas minhas roupas.
Aleguei que tinha as provas tinham sido forjadas. Descrevi-lhes o individuo que me isitava todas as noites, e que era concerteza o autor daqueles tenebrosos crimes. O comandante, demonstrando grande lucidez, pegou no que me pareceu, um processo policial, e dele libertou uma fotografia.
É este o individuo que o visita? - Inquiriu ele, exibindo o retrato na direcção dos meus olhos.
Sim. É este mesmo! - Clamei eu, com um fluxo ávido de alívio, que me ventilou o cérebro que estava quase a rebentar de tanta inquietação.
Então o senhor confessa ser o autor de todos estes crimes, não é verdade? - Afirmou ele, com grande naturalidade.
Porquê que havia de confessar? - Inquiri eu, repleto de incredulidade.
Foi quando o Comissário segurou um espelho em frente da minha face, obrigando-me a encarar com o horror a minha outra face demoníaca.

por Alexandre Faleiro